quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre as decisões para construir uma Arquitetura Orientada a Serviços

Eu comentei em um "post" antigo sobre as razões pelas quais uma Arquitetura Orientada a Serviços deve (ou deveria) ser construída. Gostaria de voltar ao tema.

Fundamentalmente, a decisão para criar uma Arquitetura Orientada a Serviços não deveria ser de responsabilidade do Departamento de Tecnologia de qualquer empresa. Esta decisão deveria necessariamente ser de Áreas de Negócio da companhia.

Esta forma de tomada de decisão não é absolutamente nova. Serve para quaisquer tecnologias desde sempre. Ou deveria servir. Exemplos são inúmeros: bancos centenários sobreviveram durante muito tempo sem o uso de qualquer tecnologia digital. A decisão sobre a introdução de sistemas de computadores em instituições financeiras é dramaticamente mais nova do que o próprio banco.

Neste passado remoto, a substituição de tarefas manuais por sistemas de computadores tinha como objetivo atingir resultados que não são muito diferentes dos atuais: agilidade nos processos, melhor atendimento ao cliente, redução de custos, inovação em produtos, etc, etc, etc. Mais uma vez, nesta época, as decisões não foram tomadas baseadas nas belezas tecnológicas existentes ou por diletantismo mas sim, em reais necessidades de negócio.

Atualmente, é assim também com SOA. Não somente com SOA mas com toda e qualquer tecnologia que se possa discutir.

Contudo, por algum motivo, essa lógica (necessidades de negócio fazendo uso de tecnologia) foi se invertendo: tecnologias são empregadas sem que haja uma real consciência sobre o seu benefício. Não precisamos pensar muito para concluir que tal lógica não é sustentável.

Assim, acredito que SOA não pode ser um fim em si mesmo. Tem que ser um meio para resolução de problemas reais de negócio. Então a lógica original deveria produzir alguma coisa como:
  • Forças de mercado e concorrência geram pressão nas empresas por melhores resultados.
  • Empresas acreditam que recursos tecnológicos podem ajudá-las a melhorar o seu desempenho, distinguirem-se da concorrência, etc, etc, etc.
  • Dentre as diversas opções tecnológicas disponíveis, SOA endereça exatamente estes pontos.
  • Áreas de negócio invocam e pressionam a área de tecnologia para entregar tal requerimento.
Dentre os vários motivos pelos quais SOA ainda não teve a adoção pelas empresas, gostaria de citar dois:
  • As forças que regem o mercado e a concorrência entre as empresas não tiveram ainda intensidade suficiente para que estas buscassem coisas como SOA.
  • A inabilidade de "vender" o que é realment SOA para as áreas de negócio e tomadores de decisão das empresas.
Acho que, quando as pressões de mercado forem de tal ordem, as empresas buscarão soluções como SOA para os seus problemas. E então, teremos investimentos em equipes específicas com conhecimento apropriado. Portanto, reafirmo, enquanto SOA for tratado somente com os seus atributos tecnológicos, com o trato de APIs, produtos, etc, não será adotada plenamente pelas empresas.

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